Desde o início de agosto, o Claude passou a deixar uma marca em tudo o que escreve. E não, não vais conseguir vê-la.
Esquece a ideia de um caractere escondido ou um ficheiro anexado com dados. Não é nada disso, e nem muda uma letra do que lês. A marca está escondida na forma como as palavras são escolhidas ao longo do texto. Só quem tem a chave certa consegue lê-la.
Chega a um ponto em que várias palavras seguintes servem igualmente bem numa frase. Nenhuma está errada. Olha para este exemplo.
"A reunião foi muito ___."
✓ "boa" foi a escolhida pelo código
O Claude não lê palavras como nós. Por trás de cada uma existe um código, um número. É assim que o modelo funciona lá dentro.
Quando a diferença entre duas palavras é irrelevante para quem lê, tipo nublado ou cinzento, o modelo não escolhe de forma totalmente aleatória. Usa uma fonte de aleatoriedade diferente, que segue uma chave conhecida só pela Anthropic.
Uma escolha sozinha não diz nada. É a distribuição das escolhas ao longo de muitos tokens que forma um padrão estatístico, sem alterar qualidade nem legibilidade.
A Anthropic guarda essa chave. E com ela, consegue olhar para um texto e estimar se o Claude esteve envolvido na sua escrita.
Não é a Anthropic a decidir ser simpática. É a lei a empurrar.
O AI Act europeu passou a pedir mais do que um aviso escrito tipo isto foi feito com IA. Quer algo tecnicamente verificável.
Juntou-se a cerca de 190 empresas que assinaram o código de prática da UE sobre transparência em IA. Nesse pacote, entrou a promessa de marcar tudo o que o Claude escreve.
Não há forma de desligar isto. E aplica-se em todo o mundo, não só na Europa, porque a Anthropic ainda não tem forma fiável de restringir a marca por região.
Respostas curtas ou posts de redes sociais não têm tokens suficientes para o padrão ser estatisticamente fiável.
Feita por uma pessoa, por outro modelo, ou até por tradução. Isto é conhecido desde a investigação original sobre watermarking de LLMs.
Há menos escolhas de baixo risco disponíveis em texto muito técnico ou factual, logo o sinal fica mais fraco.
A marca não confirma que as ideias são do Claude, só que ele processou o texto nalgum momento. E a ausência de marca também não prova que foste tu a escrever.
Aqui ficam as respostas às perguntas que provavelmente já estás a pensar.
Não. Podes passar o texto para onde quiseres, a marca vai contigo.
Também não costuma chegar. Uma revisão ligeira deixa a marca praticamente intacta.
Só reescrevendo mesmo. A sério, quase todas as palavras têm de mudar. Na prática, é escreveres tu.
Ainda não há uma ferramenta pública de deteção. A Anthropic promete lançar uma em breve, mas ainda sem detalhes sobre taxa de erros ou processo de contestação.
Não. A marca não guarda o teu nome, a tua conta ou a tua conversa. Identifica o modelo, não a pessoa.
Aí o mecanismo é diferente, usa metadados C2PA assinados, o mesmo standard já usado por câmaras fotográficas.
Cada empresa tem a sua chave, guardada só para ela. Por isso a marca do Claude nunca vai confundir-se com a de outro modelo, mas também não são todas as IAs que já fazem isto.
| Modelo | Marca de água em texto |
|---|---|
| Claude (Anthropic) | Ativa desde ago. 2026 |
| Gemini (Google) | Ativa há mais tempo (SynthID) |
| ChatGPT (OpenAI) | Tecnologia pronta, não lançada |
Usa a ferramenta, não tenhas medo dela. Só não deixes que ela pense por ti.
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